Hoje, 20 de novembro de 2024, é o Dia da Consciência Negra.
Convido a todos a refletirem comigo. Não trago nenhuma verdade absoluta; apenas ideias, sentimentos e reflexões, como hipóteses fundamentadas no que já li e vivi. Não inventei nada; aqui, tudo é uma releitura de outros autores, somada a alguns relatos da minha própria trajetória. Vamos lá!
Na verdade, a África é tida como a nação-mãe da humanidade. E acredito que, um dia, evoluiremos para termos o "Dia Mundial da Consciência Humana". Todos somos seres humanos e, sendo assim, temos em nosso sangue a mesma cor. A cor da pele é um fator que, em determinadas sociedades devido à doentia luta pelo poder , gerou diversos tipos de preconceitos, racismo e conflitos. Por isso, dentre muitas iniciativas, temos este dia para marcarmos conquistas rumo à evolução da humanidade.
Aprendi que o melhor é focar na solução e que a recomposição histórica é fundamental. Precisamos criar marcos para lembrarmos da doença que existe e existiu, e para lembrarmos que já temos a "vacina" aplicada. A vacina mais importante, a meu ver, é entendermos que ainda estamos engatinhando enquanto humanidade, e compreendermos o que é a humanização das relações e a Comunicação Não Violenta.
É muito importante assumirmos, aceitarmos sem melindres, dramatizações ou algo parecido , que a humanidade ainda está no jardim de infância evolutivo. Muita teoria e pouca prática. Um triste exemplo que podemos citar: desde sempre, existem escolas de elite no mundo que permitem somente a matrícula de crianças brancas. Se não houver uma legislação global muito séria determinando o respeito à diversidade, essa loucura, essa doença e esse desrespeito que são uma vergonha enorme para a humanidade tendem a se perpetuar. Resumindo: essas atitudes preconceituosas e racistas são criminosas.
Mas é óbvio que a constatação desses fatos não é motivo para gerar comportamentos de extremismo, ódio, vingança, fascismo, guerra ou conflitos. Muito pelo contrário. Uma frase certeira é que a violência só gera violência. Então, é preciso pensarmos juntos sobre qual é a origem desses comportamentos e como podemos criar soluções fraternas.
Essas proibições são uma vergonha. É um fato constatado que isso acontece por haver grupos de poder infantis e doentios, que precisam de muita terapia, mentoria, legislação e políticas amplas para sanar tudo isso, proporcionando um caminho de evolução. Temos, por exemplo, a política de cotas; as soluções, nesse momento, tendem a ser radicais e compensatórias, pois esses "bebês do poder" não entendem que vivem dependentes de orientação e cuidados, e que precisam aprender valores de amor, respeito e responsabilidade.
Hoje, vemos várias políticas sociais para garantir os direitos e deveres humanos universais. Aqui, gostaria de enfatizar algo que sempre repito: a importância do aprendizado da Filosofia e da Psicologia com base no paradigma humanista integral e integrativo, que considera uma visão humana e complexa por isso, chamamos também de holística. Dentre os saberes, o aprendizado de como nos relacionamos é essencial. E aí temos a Comunicação Não Violenta e as práticas restaurativas para avançar nas recomposições, resgates e reconciliações que precisam, urgentemente, ser aplicadas em nosso planeta.
Essas ideias, junto com meus sentimentos, necessidades e sonhos, vêm de uma constatação óbvia: cada um de nós, no mundo, é um filho e um irmão da família planetária e cósmica, que carrega dentro de si o cosmos inteiro. Sou o resultado de uma história infinita. Meu DNA, levando em conta somente três gerações anteriores a mim, traz o encontro de povos nativos do Brasil com africanos, judeus e árabes. E cada um desses, quais histórias infinitas terá de encontros de povos ancestrais?
Durante a história, veremos uma confusão de nomes para tentar determinar o que é a pessoa pela cor da pele. Como assim? E ninguém questiona isso até hoje? Realmente não tem jeito: para mim, ficou óbvio desde criança que vivemos em um verdadeiro jardim de infância para não dizer que é um manicômio! Então, a cor da minha pele é "pardo" algo determinado por um sistema louco, tido como normal. Hoje, vemos pessoas que se consideravam negras ou brancas entenderem que existe uma miscigenação em sua história.
A língua portuguesa torna-se arbitrária na aplicação dos verbos. O cidadão tem que ser denominado por pessoas, instituições e por si mesmo como: "Eu sou pardo". Qual sua cor? Parda? É bom repetir, até a reflexão vir. Por que digo que é louco? Vamos aos argumentos: quando fico alguns meses sem pegar sol, minha pele tende a ficar amarela, quase branca, e então, se digo que sou pardo, as pessoas logo dizem: "Que nada, você não é pardo, é branco!". Quando fico meses indo à praia, me torno "preto". Então, amigos de longa data, quando me encontram na fase em que estou sem ir à praia, cismam em dizer: "Que isso, cara? Você não é preto!". Aí digo: "Sou, sim: preto, pardo, amarelo...". E insistem em dizer: "Não, não é não", e riem como se eu estivesse delirando ou surtando. Tenho que mostrar fotos em que só meus dentes aparecem, e então dizem: "Aaaah, esse cara da foto não é você!".
Apesar de ter sofrido na infância todo tipo de preconceito, racismo e bullying, tive muitos anos de análise, psicologia e estudos de espiritualidade para entender esse manicômio (ou jardim de infância). E não desenvolvi sentimento de ódio, raiva ou algo nesse sentido. Tive compaixão por ver seres humanos tão atrapalhados e que se acham o máximo com uma autoestima falsa, baseada em hipocrisia e exploração. Mas, até certo ponto, perdoável. Amadureci muito cedo e compreendi que o planeta, em sua melhor definição, é um grande laboratório, e nós somos as cobaias. Somos cobaias primeiro para nós mesmos e, consequentemente, para nossos irmãos planetários. Ficava triste por as pessoas não se conhecerem, não entenderem sua natureza e viverem em conflito, sem rumo. Viviam um amor teórico, decorado no banco da igreja ou em discursos prontos de filmes de Natal.
O amor está ali, sempre esteve dentro de todos. A luz sempre é mais forte, pois é nossa essência, apesar de insistirem em tampar o seu brilho. A luz vai brilhar, de fato, em todo o seu potencial quando entendermos que somos todos irmãos, que cor, raça, gênero, etc., não importam mais que nossas humanidades, nossas almas e nosso espírito. Hoje existe hipótese de tudo, agora provar é que são elas!
Enquanto isso, vamos juntos trabalhar para a conquista da consciência humana. Um longo caminho, mas, mesmo engatinhando, estamos indo na mesma direção.
Para concluir, por enquanto, trago um trecho do livro de Marshall Rosenberg sobre Comunicação Não Violenta e um link para seu workshop sobre o mesmo tema:
"...Acreditando que o natural em nós é dar e receber de modo compassivo, tenho estado preocupado a maior parte da minha vida com duas questões: o que acontece para desconectarmos de nossa natureza compassiva, levando-nos a nos comportar de forma violenta e exploradora? E, contrariamente, o que permite que algumas pessoas estejam conectadas à sua natureza compassiva mesmo sob as mais difíceis circunstâncias? Minha preocupação com estas questões começou na infância, por volta do verão de 1943, quando nossa família se mudou para Detroit – Michigan. Na segunda semana após nossa chegada, irrompeu uma luta racial a partir de um incidente num parque público. Mais de 40 pessoas foram mortas nos dias que se seguiram. Nossa vizinhança estava situada no centro da violência e passamos três dias trancados em casa. Quando a disputa racial terminou e a escola começou, eu descobri que um nome poderia ser tão perigoso quanto a cor da pele. Quando a professora falou meu nome durante a chamada, dois meninos olharam furiosamente para mim e me vaiaram – 'você é um kike?'. Eu nunca tinha ouvido falarem assim antes e não sabia que essa palavra era usada por algumas pessoas de modo pejorativo para referir-se a judeus. Após a aula, os dois estavam esperando por mim: derrubaram-me no chão, chutaram-me e me bateram. Desde aquele verão em 1943, eu tenho examinado as duas questões que mencionei. O que nos possibilita, por exemplo, estar conectados à nossa natureza compassiva mesmo sob as mais difíceis circunstâncias...?"
Link: https://www.youtube.com/watch?v=DgAsthY2KNA
Espero que a luz predomine sempre na vida de todos. Gratidão pelas críticas construtivas. As destrutivas dispenso, e faço votos que as pessoas que têm esse tipo de atitude como "haters" e outros se recomponham. Luz e bênçãos para todos!